A Lua é mais rica em metais do que se pensava – NASA



A EVIDÊNCIA FOI DESCOBERTA ENQUANTO OS CIENTISTAS PROCURAVAM GELO NA PARTE INFERIOR DAS CRATERAS NA REGIÃO DO POLO NORTE LUNAR


Os planos para começar a minerar a Lua no início de 2025 se tornaram mais atraentes nesta semana, depois que uma equipe da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) dos EUA encontrou evidências de que a lua pode, abaixo de sua superfície, ser mais rico em metais do que se pensava anteriormente.

Usando dados do instrumento Miniature Radio Frequency (Mini-RF) a bordo do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA, uma equipe de pesquisadores chegou à conclusão de que o subsolo lunar contém maior concentração de certos metais, como ferro e titânio, do que o estimado.

O estudo, publicado na revista Earth and Planetary Science Letters, contém a teoria mais popular em torno das origens da Lua. A hipótese afirma que o satélite foi formado quando um objeto do tamanho de Marte colidiu com a Terra, vaporizando grandes porções da crosta superior da Terra.

"Ao melhorar nossa compreensão de quanto metal a subsuperfície da lua realmente possui, os cientistas podem restringir as ambiguidades sobre como se formou, como está evoluindo e como está contribuindo para manter a habitabilidade na Terra", disse Essam Heggy, principal autor do estudo.

As evidências foram descobertas enquanto os cientistas procuravam gelo no fundo de crateras na região lunar do polo norte, disse a NASA. Isso significa que a poeira fina encontrada na base desses buracos faz parte das camadas mais profundas da Lua, ejetadas durante os impactos de meteoros. Como tal, esse pó representa a composição em camadas mais profundas da Lua.

Os pesquisadores descobriram um padrão no qual crateras maiores e mais profundas têm maiores concentrações de metal do que as menores e mais rasas. Especificamente, em crateras com aproximadamente 1 a 3 milhas de largura, a constante dielétrica ou a propriedade elétrica aumentam junto com o tamanho da cratera. No entanto, a propriedade elétrica permaneceu constante para as crateras entre três a 20 quilômetros de largura.


Ordem para minerar


O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem em abril, incentivando os cidadãos a minar a Lua e outros corpos celestes com fins comerciais.

A diretiva classifica o espaço sideral como um "domínio legal e fisicamente único da atividade humana" em vez de um "bem comum global", abrindo caminho para a mineração da lua sem nenhum tipo de tratado internacional.

"Os americanos devem ter o direito de se envolver em exploração comercial, recuperação e uso de recursos no espaço sideral", afirma o documento, observando que os EUA nunca assinaram um acordo de 1979 conhecido como Tratado da Lua. Este acordo estipula que quaisquer atividades no espaço devem estar em conformidade com o direito internacional.

A agência espacial russa Roscosmos rapidamente condenou a decisão de Trump, comparando-a ao colonialismo.

"Já houve exemplos na história em que um país decidiu começar a tomar territórios em seu interesse - todos se lembram do que aconteceu", disse Sergey Saveliev, vice-diretor geral de cooperação internacional da Roscosmos.

A estrutura legal global proposta para a mineração na Lua, chamada Acordo de Artemis, seria o mais recente esforço para atrair aliados ao plano da Agência Espacial Nacional (NASA) de colocar humanos e estações espaciais no corpo celestial na próxima década. Também se alinha a várias iniciativas públicas e privadas para cumprir a meta de extrair recursos de asteroides, lua e até outros planetas.

Em 2015, o Congresso dos EUA aprovou um projeto de lei explicitamente permitindo que empresas e cidadãos explorassem, vendessem e possuíssem qualquer material espacial. Essa parte da legislação incluía uma cláusula muito importante, afirmando que não concedia “soberania ou direitos soberanos ou exclusivos ou jurisdição sobre, ou propriedade de, qualquer organismo celestial”.

A seção ratificou o Tratado do Espaço Exterior, assinado em 1966 pelos EUA, Rússia e vários outros países, que afirmam que as nações não podem possuir território no espaço.

Trump tem um interesse consistente em afirmar o poder americano além da Terra, formando a Força Espacial dentro das forças armadas dos EUA no ano passado para conduzir a guerra espacial.

A NASA havia descrito anteriormente sua abordagem de longo prazo à exploração lunar, que inclui a criação de um "acampamento base" no polo sul da lua. A NASA está trabalhando em bases lunares que podem viajar sobre rodas ou mesmo pernas, aumentando a segurança da zona de pouso, fornecendo redundância de equipamentos e melhorando as chances de fazer descobertas importantes.


Mercado de trilhões de dólares


Os EUA não são o primeiro nem o único país a embarcar no trem de mineração lunar. Nos últimos anos, a Rússia tem buscado planos de retornar à Lua, potencialmente viajando para o espaço sideral. O Roscosmos revelou em 2018 planos para estabelecer uma base de longo prazo na lua nas próximas duas décadas, enquanto o presidente Vladimir Putin prometeu lançar uma missão a Marte "muito em breve".

O Luxemburgo, um dos primeiros países a olhar para a possibilidade de mineração de corpos celestes, criou em 2018 uma Agência Espacial (LSA) para aumentar a exploração e a utilização comercial de recursos da Near Earth Objects. Ao contrário da NASA, a LSA não realiza pesquisas ou lançamentos. Seu objetivo é acelerar as colaborações entre líderes de projetos econômicos do setor espacial, investidores e outros parceiros.

Graças à rede europeia emergente, os cientistas anunciaram no ano passado planos para começar a extrair recursos da lua em cinco anos. A missão, encarregada da Agência Espacial Europeia em parceria com o ArianeGroup, planeja extrair energia nuclear sem desperdício, que vale a pena trilhões de dólares.

Tanto a China quanto a Índia também apresentaram ideias sobre a extração de hélio-3 da Lua. Pequim já pousou na lua duas vezes no século 21, com mais missões a seguir.

No Canadá, a maioria das iniciativas vem do setor privado. Uma das mais elogiadas foi a parceria da Deltion Innovations, no norte de Ontário, com a Moon Express, a primeira empresa americana de exploração espacial privada a receber permissão do governo para viajar além da órbita da Terra.

Os empreendimentos espaciais em andamento incluem planos para extrair asteroides, rastrear detritos espaciais, construir o primeiro assentamento humano em Marte e o próprio plano do bilionário Elon Musk para uma missão não tripulada ao planeta vermelho.

Geólogos e empresas emergentes, como a Planetary Resources, empresa norte-americana pioneira no setor de mineração espacial, acreditam que os asteroides são embalados com minério de ferro, níquel e metais preciosos em concentrações muito mais altas do que as encontradas na Terra, formando um mercado avaliado em trilhões.

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