A mineração de metais para energia limpa pode aumentar a pressão em áreas protegidas



Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Queensland descobriu que as áreas protegidas, as principais áreas de biodiversidade e as áreas selvagens remanescentes do mundo estariam sob crescente pressão da mineração de minerais e metais necessários para uma transição de energia limpa.

De acordo com Laura Sonter, principal autora do artigo publicado na Nature Communications, a produção de energia renovável é intensiva em materiais - muito mais do que os combustíveis fósseis - e a mineração desses materiais aumentaria à medida que os combustíveis fósseis fossem eliminados, criando mais pressão sobre a biodiversidade localizada em paisagens ricas em minerais.

Para chegar a esta conclusão, Sonter e sua equipe mapearam as áreas de mineração do mundo de acordo com um extenso banco de dados de 62.381 propriedades de mineração pré-operacionais, operacionais e fechadas, visando 40 commodities diferentes.

Eles descobriram que as áreas com potencial atividade de mineração cobriam 50 milhões de quilômetros quadrados do planeta - 35% da superfície terrestre, excluindo a Antártica - e muitas dessas áreas coincidiam com locais críticos para a conservação da biodiversidade.

“Quase 10% de todas as áreas de mineração ocorrem em locais atualmente protegidos, com muitas outras minerações ocorrendo dentro ou nas proximidades de locais considerados uma prioridade para a conservação futura de muitas espécies”, disse Sonter em um comunicado à mídia.

Do total de áreas analisadas, 82% visam materiais necessários para a produção de energia renovável, dos quais, 12% coincidem com áreas protegidas, 7% com áreas-chave de biodiversidade e 14% com áreas silvestres.

“E, das áreas de mineração que se sobrepunham às áreas protegidas e selvagens, aquelas que visavam materiais para energia renovável continham uma densidade maior de minas do que as áreas de mineração que visavam outros materiais”, disse Sonter.

Os pesquisadores disseram que este tópico precisa ser abordado em fóruns internacionais, como as discussões globais sobre o Plano Estratégico das Nações Unidas para a Biodiversidade pós-2020. Ao mesmo tempo, é urgentemente necessário um planejamento estratégico cuidadoso de como será a transição para as energias renováveis.

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